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Burlões aproveitam-se de rendas altas em Lisboa com anúncios falsos

11 jun 2018
Burlões aproveitam-se de rendas altas em Lisboa com anúncios falsos
Há burlões que se estão a aproveitar da tendência das rendas altas em Lisboa para extorquir dinheiro. Primeiro, colocam múltiplos anúncios de arrendamento de apartamentos de que não são proprietários, localizados em zonas de muita procura e a preços inferiores aos praticados.
Quando são contactados por potenciais inquilinos, assumem uma identidade falsa. A SÁBADO contactou com um burlão que se passou por uma italiana "dona" de uma farmacêutica que queria arrendar a casa em Lisboa, na zona do Saldanha. Após um primeiro contacto por emailou telemóvel, pediu à SÁBADO que depositasse um sinal (ou o primeiro mês de renda) através de um site falso do Airbnb de modo a reservar o imóvel desejado. 

Mas as burlas não são feitas apenas através do Airbnb: os burlões podem pedir aos inquilinos que depositem um montante numa conta bancária. A PSP explica que estas contas são tituladas pelos burlões ou próximos dos mesmos. 
 
De 2017 até aos primeiros meses de 2018, a PSP já registou 493 pessoas burladas por estes métodos, de acordo com os dados enviados à SÁBADO. O comissário Carlos Pragana, do departamento de Investigação Criminal da PSP, esclarece que os burlões aproveitam-se dos utilizadores de "plataformas digitais de compra e arrendamento de imóveis", como o Imovirtual ou Idealista, atraindo-os "pelo baixo preço em comparação à concorrência e à grande procura que existe em determinadas zonas e épocas do ano". 

"Os utilizadores vêem ali uma oportunidade imperdível, sem que estejam certos que o anunciante é legítimo", explica o comissário à SÁBADO.
A metodologia dos burlões 
As burlas de arrendamento são, nas palavras da PSP, um tipo de burla em que os perpetradores, por meio de engano, "pretendem garantir o valor correspondente ao arrendamento de um imóvel ou do adiantamento de um sinal para garantir a reserva do imóvel".

De acordo com as autoridades, há dois métodos de extorsão utilizados pelos burlões: anúncios falsos ou a criação de sites falsos semelhantes às plataformas Airbnb e Homeaway. 

1. Anúncios falsos

Os criminosos escolhem as plataformas digitais de compra e arrendamento de imóveis, concretamente as que têm maior afluência de visitantes e que facilitem aos seus utilizadores publicitarem imóveis de forma quase anónima.

De seguida fazem anúncios falsos apropriando-se de fotografias e descrições de apartamentos alheios que já estiveram disponíveis no passado em plataformas de arrendamento. "Deste modo, os burlões geram várias contas nos diversos sites de arrendamento, colocando múltiplos anúncios de apartamentos de que não são proprietários, em zonas de muita procura, a preços inferiores aos praticados. Assim garantem um elevado número de contactos por parte dos utilizadores", precisou o comissário da PSP.

Após contacto dos interessados e acertados todos os pormenores (via email e/ou telemóvel), é solicitado às vítimas que seja efectuado um depósito de sinal para uma conta bancária, normalmente em nome do suspeito ou de alguém que esteja ligado a ele, sendo fornecido para o efeito um NIB/IBAN ou referência multibanco. 

2. Criação de sites falsos

Uma rede de criminosos montou páginas falsas semelhantes às plataformas internacionais de arrendamento de imóveis, como o Airbnb ou o Homeaway. Através delas, os burlões aliciam os utilizadores a fazerem transacções, roubando-lhes os dados bancários.

As vítimas vão parar a estas imitações de plataformas após os burlões ganharem a confiança das suas vítimas por contacto via email  ou telemóvel. "Alegando que o proprietário do imóvel se encontra no estrangeiro e/ou por questões de segurança para ambos, é pedido que a transacção seja feita pela plataforma Airbnb/Homeaway, sendo enviado um link contendo uma reprodução exacta de uma das plataformas referidas, onde contem as indicações para pagamento", explica o comissário.
 
Depois, as transferências efectuadas nestas páginas têm sempre como destino uma conta no estrangeiro, normalmente sediada em Itália, Inglaterra ou países do leste europeu. Após o pagamento, as vítimas recebem um email  falso em nome da plataforma falsa (ex. office.airbnb@europe.com; office@airbnb-rentails-booking.com) a confirmar a reserva. 

"Existem casos em que os burlões com o objectivo de obter para si um maior lucro, solicitam um novo pagamento derivado a ter ocorrido um erro no sistema ou o dinheiro não ter entrado na sua conta", salienta Carlos Pragana.


Fonte: www.sabado.pt - 6.06.2018 11:16 por Alexandre R. Malhado